Episódio #6 – Michelle, ao vivo da Partolândia

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Episódio
#6

Michelle, ao vivo da Partolândia

A Michelle nasceu em Recife, cresceu em Salvador e no Rio, e mora em São Paulo há 15 anos. Ela da aulas de jornalismo, pesquisa, milita e também cria dois filhos!  Ela nos recebeu numa segunda feira, quando o Chico, de 2 anos e o Miguel, de 7, estavam na escola.
Falamos de culpa, de separação, de solidão…e rimos bastante das situações que a Michelle descreveu. Um novo amor para a mãe e… para o filho, que logo ganhou um irmãozinho, que nasceu em casa. A Michelle fala que esqueceu bastantes coisas, mas conversando, as lembranças voltaram…
Michelle conta de seus dois partos em casa, o primeiro que terminou no hospital e o segundo que “fluiu”, como ela diz. Ela nos explica a importância para ela dos grupos de apoio de mulheres e mães ativas no processo de se tornar mãe, e dos testemunhos de quem acabou de dar a luz. Mesmo assim, sendo bem acompanhada e informada, ainda existem preconceitos que a propria mulher tem sobre o que ela deveria fazer para se tornar uma “boa” mãe.

As 10 dicas da Michelle

1 - Informar-se: busque informações em fontes de qualidade, como grupos de apoio ao parto, livros, sites e veículos de informação especializados. Mas não se informe tanto. No meu primeiro parto, busquei tanta informação, que racionalizei demais e não me ajudou.

2 - Trocar com outras grávidas / mães: fazer parte de grupos (presenciais ou virtuais), frequentar reuniões de grupos de apoio. Esta troca é muito genuína e inspiradora. Só tomar cuidado para não idealizar. Cada uma tem uma história e a sua é a sua, a possível, a que era pra ser.

3 - Não comprar nada a não ser as roupinhas e mantinhas que o bebê vai precisar. A gente termina comprando coisas em excesso. Eu, por exemplo, tive um monte de tralha para "o quarto do bebê" (berço, banheira, poltrona) que nunca usei ou que demorei muito para usar. melhor coisa foi ter uma almofada para amamentação. Doí muito as costas.

4 - Aproveitar para dormir na gravidez. Se tiver esta oportunidade, durma. Eu demorei quase 3 anos para conseguir dormir 5 horas seguidas de novo.

5 - Fazer cama compartilhada. Não tem coisa mais gostosa do que dormir grudada com eles.

6 - Na amamentação, ao menor sinal de dor na amamentação, procurar ajuda de enfermeira(a) ou fono. Na segunda amamentação, achei que "já sabia", demorei para buscar ajuda e quase fiz uma mastite.

7 - Cheirar muito o bebê quando ele nascer. Rapidinho este cheiro vai embora, mas a gente NUNCA o esquece <3.

8 - Registrar. Quase não tenho fotos do primeiro parto e me arrependo de não ter registrado. Escrevi relatos dos dois. E fiz muitas fotos dos dois bebês. Hoje, nos divertimos juntos vendo e lendo as nossas memórias.

9 - Cuide de você. E não somente para estar bem para o bebê. Para estar bem. Tenha algum tempo para você nem que seja a hora do banho.

10 - Parece que você vai ter bastante tempo livre, mas isso não vai acontecer. Peça ajuda com coisas simples e que você pode delegar, para não ficar sobrecarregada.

O relato do Eduardo

A experiência com a paternidade trouxe uma convicção, que hoje sigo compartilhando com outros pais, reais e potenciais, e que tem a ver com o desenvolvimento de consciência sobre o nosso papel.

Em primeiro lugar, eu diria que informação é fundamental. Minha convivência de muitos anos com colegas e amigos em grupos masculinos revelou, por exemplo, que os homens são, por motivos diversos, alheios ao universo da gestação e criação dos filhos. Por ignorarem o assunto, acabam replicando de forma automática muitas atitudes e posições machistas, o que os torna incapazes de efetivamente acompanhar, compartilhar, fazer escolhas conscientes e tomar decisões em conjunto com sua parceira.

Sinto que foi muito importante mergulhar nessa experiência, razão pela qual, aos poucos e cada vez mais, fui me sentindo à vontade e confiante durante o processo. Digo que fui me tornando pai a cada dia, antes mesmo de Francisco nascer. Hoje eu acredito que o papel do pai é estar presente sempre, se informando sempre, apoiando sempre, dividindo responsabilidades e tomando decisões.

Não é só a mulher que decide, tampouco o médico ou a escola, por exemplo. Estabeleça combinados com sua parceira e dívida as tarefas de uma forma justa para os dois.

Realização : Obrigada Produção
Música: "Chérie la Kro"
Fotos: Renata Penna/fotopoesia

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